Entrevista com Matt McFarland – Desenvolvedor de Beast

23f6be945481783cb4b9e04c5c26d384_originalLink para a entrevista no original [Link to the interview in English]:

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Nós aqui da NWoD Brasil em conjunto com nosso amigo lusitano João Mariano, conhecido pela suas comunidade de Vampire: the Masquerade Portugal e Roleplaying Game Portugal, entrevistamos o desenvolvedor da linha Beast: the Primordial, Matt McFarland. Se vocês não o conhecem, ou querem saber um pouco mais de suas motivações para criar o fabuloso Beast, continuem lendo.

Matthew McFarland, também conhecido como BlackHat Matt, é escritor e desenvolvedor de RPGs desde 1998, abrindo sua própria empresa – Growling Door Games – em 2012, junto com sua esposa, Michelle.

Matt contribuiu para quase todas os jogos do Mundo das Trevas (Clássico e Novo), tendo passado três anos como desenvolvedor chefe da linha A Idade das Trevas. Ele também ganhou o Ennie com duas aventuras introdutórias para Vampiro: o Réquiem e Mago: o Despertar.

Entre os livros do Novo Mundo das Trevas que Matt desenvolveu temos: The God-Machine Chronicle; Demon: the Descent; Left-Hand Path e a segunda edição de Promethean que ainda será lançada.

Vamos à entrevista!

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NWoDBrasil: De onde veio a idéia de propôr o Beast como linha nova? Quais foram suas inspirações?

Matt: O tema “família” é bem forte e é uma grande parte da inspiração. Os beasts se chamam de “Children” [Crianças, em tradução livre] ou “Begotten” [Concebidos, em tradução livre] e reverenciam a Dark Mother* – uma deusa do pesadelo mais ou menos como a Equidna – como sua criadora. Eles também veem os vampiros, lobisomens, e outras criaturas do Mundo das Trevas como parentes. Isso significa que todos eles se dão bem? Nem um pouco (você se dá bem com a sua família o tempo todo?). Mas Isso também traz um tipo de coesão para o Mundo das Trevas que eu acho que não estava ali antes.

Agora, isso significa que os beasts estão certos? Isso é uma verdade objetiva? Nem um pouco. Como a maioria dos outros tipos de personagem, eles tem as crenças deles e aparentam ter alguma evidência delas. Provavelmente a verdade é maior do que eles conseguem enxergar.

As beasts tem bastante liberdade para serem malvadas – ou não – conforme seus jogadores escolherem. Isso é verdade para muitas coisas no Mundo das Trevas, mas os Begotten realmente não conseguem escapar do fato de que são monstros. Para alimentar o Horror eles precisam aterrorizar as pessoas. Alguns deles se alimentam ao tomar objetos (Hunger for the Hoard¹), alguns ao dominarem outrem (Hunger for Power²) e outros ainda ao quebrar coisas (Hunger for Ruin³). Eles podem usar essas predações como uma forma de ensinar… mas não precisam. Eles estão presos a serem o que são, quer escolham ou não. O importante é o que eles fazem com isso.

[N.E. Optei por deixar Dark Mother no original pois é um dos vários títulos/identidades desse ser]

¹ [Fome de Tesouros, em tradução livre] ² [Fome de Poder, em tradução livre] ³ [Fome de Ruína, em tradução livre]

NWoD Brasil: Qual sua coisa favorita sobre Beast?

Matt: Vou admitir, eu amo crossover por causa das várias razões que eu mencionei ali em cima. Eu adoro a idéia de que, se o Mundo das Trevas não é algo completamente funcional e organizado, então é um grande caldeirão em que, mesmo que os ingredientes não pareçam se misturar bem, no fim acaba dando muito certo. Beast me deu uma chance de misturar as coisas mais um pouquinho.

Eu também gosto da idéia de que as Beasts são tão malvadas quanto suas ações. Elas são o que são e fazem o que fazem, mas são capazes de ter um efeito positivo mesmo se elas alcançarem isso sendo monstros. Eu sou um otimista, fazer o que?

NWoD Brasil: As pessoas falam demais sobre “equilíbrio”. Já que você disse várias vezes publicamente que não acredita nisso, quais foram os guias e princípios ao criar um jogo tão baseado em crossover?

Matt: Não é que eu não acredite em equilíbrio nos jogos, eu apenas acho que as pessoas usam o termo de forma errada. Na maioria das vezes quando as pessoas falam em “equilíbrio”, eles querem dizer “será que um demon pode vencer um vampiro numa white room? *” É necessário levar em conta o que os respectivos personagens fazem e quais são os temas dos jogos, e Beast leva isso em consideração.

* [N.E. White Room é a idéia de uma situação em que não haja nenhum elemento externo além dos personagens, que irão medir suas habilidades. É uma situação irreal que não leva em consideração vários fatores que podem influenciar em um combate ou situação]

NWoD Brasil: O que você diria que é o buy-in* para se jogar Beast e por que?

Matt: Você está jogando com uma criatura de pesadelos anciã com seu próprio Covil* dimensional portátil nos espaços entre os pesadelos das pessoas, e você alimenta esse monstro com os gritos e o terror das pessoas que você está aterrorizando, talvez com esperança de ensiná-los uma lição útil sobre o Mundo das Trevas. Ah, e se você quiser, cuspir fogo.

* [N.E. “Buy-in” é o pressuposto que aceitamos para jogar um jogo, assistir um filme ou uma peça.]

NWoD Brasil: Qual você diria que é melhor suplemento do NMdT pra se usar com Beast?

Matt: Glimpses of the Unknown e Lugares Misteriosos são uma boa coleção, bem versátil, de coisas estranhas do Mundo das Trevas, que não são específicas a nenhuma linha. Ambas servem como boa fonte de inspiração para Beast.

NWoD Brasil: Qual seriam os jogos que mais exigem esforço para se fazer crossover com Beast?

NWoD Brasil: Por outro lado, qual (quais) seria(m) o(s) crossover(s) mais interessante(s) na sua opinião?

Matt: Vou responder essas duas juntas. Misturar Beast com qualquer jogo requer que o Narrador e os jogadores se comuniquem sobre o que eles querem o crossover realize. Se você quiser que um grupo de changelings inclua um beast, então aquele personagem provavelmente deveria ser um sequestrador, dado como os changelings costumam responder a abdução. Igualmente, se um beast for se juntar com uma matilha de lobisomens, essa matilha precisa ser receptiva a ter um não-Uratha atuando com eles. Pode ser tentador dizer que “bem, um grupo de lobisomens jamais permitiria isso”, mas a verdade é que os jogadores tem o controle sobre o que seus personagens “fariam” ou “não fariam”. Quando você está jogando Beast como um jogo de crossover, é necessário levar em consideração os temas de ambos os jogos e fazer personagens que possam ser, se não harmoniosos, pelo menos cooperativos.

NWoD Brasil: Como um desenvolvedor de RPG bem sucedido, você tem alguma dica ou comentário para aqueles que estão começando a trilhar esse caminho?

Matt: Jogue muitos tipos de jogos diferentes. Não é o bastante jogar apenas Mundo das Trevas, D&D, Fate e Savage Worlds. Jogue jogos como Misspent Youth e Spark* que fazem coisas diferentes com o controle narrativo. Jogos como Dread* que não usam dados para a resolução de tarefas. Busque algumas das coisas estranhas, saia dos seus gêneros favoritos. Enquanto isso, faça coisas diferentes. Leia livros de autores que você nunca ouviu falar. Amplie seus horizontes. Se você nunca tentar nada novo, seus jogos vão ser a mesma coisa que temos visto há quarenta anos.

Aqui tem algo que você pode fazer agora mesmo: participe do Game Chef: http://game-chef.com/

*[N.E. Grifo do Matt]

NWoD Brasil: Você poderia nos falar um pouquinho da sua vida na Growling Door e seus outros jogos, como Chill Terceira Edição?

Matt: Growling Door Games é a empresa que tenho com minha esposa, Michelle Lyons-McFarland. Por enquanto publicamos três RPGs: Curse the Darkness, um jogo pós-apocalíptico de sombras, identidade, memória e ideologia; A Tragedy in Five Acts, um jogo one-shot, sem mestre, de cinco jogadores e que imita a estrutura de uma tragédia shakesperiana; e Chill Third Edition, uma nova edição de um clássico RPG de horror investigativo. Todos os três se encontram a venda e vocês podem achar mais informações e links em: growlingdoorgames.com

NWoD Brasil: Alguma última mensagem para seus fãs/jogadores lusófonos?

Matt: Eu acho que sua língua é bonita!

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Nós da NWoD Brasil agradecemos ao João Mariano pela colaboração e, sobretudo, ao Matt por nos conceder essa entrevista e criar jogos tão fantásticos.

Thank you, Matt!

E aí, pessoal, o que acharam? Deixem seu comentário aqui ou no nosso facebook!

Não se esqueçam de apoiar o Kickstarter do Beast !

– NWoD Brasil e João Mariano

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