Esclarecimentos do diretor da White Wolf, Martin Ericsson.

Um dia após uma controversa entrevista, Martin Ericsson, o Lead Storyteller da White Wolf pediu para que o site Imagonem adicionasse alguns esclarecimentos à entrevista dada ontem. Para quem quiser conferir, esses esclarecimentos estão no fim da entrevista original.

Mais uma vez, a equipe do NWoD Brasil traz para vocês a tradução.

Antes de mais nada, gostaríamos de comentar que este esclarecimento é muito bem vindo, mostrando uma mudança radical de tom na fala de Ericsson, inclusive reconhecendo as dificuldades pelas quais a indústria passou há mais de uma década e os pontos fortes do CofD enquanto RPG de mesa.

Sem mais delongas, vamos à tradução!

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Esclarecimentos

Não foi uma escolha indolor revisitar o cenário clássico em vez do NWoD. Eu sempre apoiei essa linha, fui descaradamente “inspirado” por ela em outro trabalho e quis que ela fizesse grandes ondas, especialmente porque eu adoro sua tonalidade e modo de pensar o design a partir das bases. É duro, no entanto, não dizer que o MdT Clássico é o cenário que fez o impacto cultural mais dramático no geral. A morte da indústria de publicações e a falta de uma hype com o RPG de mesa naquela época, combinado com reações bem fortes dos fãs, nunca deram a ele [NWoD] uma chance de se popularizar. Teria feito muito sentido para nós cancelar o CofD completamente pra direcionar todo o foco para o MdT e evitar uma confusão de marcas quando novos jogadores vierem através dos futuros produtos digitais. Eu estou feliz que decidimos não fazer isso. Fazer o CofD continuar como algo próprio é o mais próximo que vamos chegar de confessar que ele talvez seja o melhor cenário voltado pra mesa, entre os dois. Porém, transformá-lo no centro de nossos planos de narrativa transmídia para o mundo futuro, significaria adicionar uma metaplot e personagens à ele, matando completamente sua identidade. Fez menos sentido do que deixar os personagens queridos e o mito da escuridão original continuar vivendo e evoluindo.


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Então, galera, o que acharam? Mais calmos? Alguma dúvida? Reclamações? Comentem aqui no blog e no nosso facebook, queremos sua opinião!

Até a próxima e não se esqueçam de curtir nossa página no Facebook!

– Dante

4 comments

  1. Eu me identifico com essa visão dos sistemas do MdT clássico e o CofD. Fico feliz de não terem cancelado e, em vez disso, terem modernizado ainda mais o sistema de regras e diminuído a influência de um Meta Plot e mitologia obrigatória no novo cenário.

    Recentemente rolamos uma crônica the Hunter: the reckoning e eu pessoalmente sofri com as mecânicas antigas que sem dúvida estão aquém do novo sistema de regras. Isso saindo de diversas crônicas no NWoD onde eu já estava acostumado com rolagens mais dinâmicas.
    Estou muito satisfeito com as modificações de sistema que vem englobando cada vez mais aspectos narrativos e usando as regras para incentivar a interpretação e a construção de tramas e não mais como um breque de história e inicio de rolação de dados.

    A nossa realidade brasileira de RPG é muito diferente da realidade americana e eu particularmente não sei medir se é cabível ou não dizer que o NWoD foi um fracasso (antes dessa reformulação para o CofD). Talvez tenha realmente sido, talvez não. Mas a minha opinião (polemica) é que o antigo WoD nadou na onda dos vampiros que permearam os anos 80 e noventa, aproveitaram isso com o fato de terem um ótimo produto para época. Era muito hype e cool.
    O NWoD não se apoiou em nenhuma moda nos anos 2000 e não modernizaram o bastante seu sistema para ser uma verdadeira alternativa, ainda mais comparando com a onda indie que chegou. Jogaram no seguro e por isso não se destacaram.

    Acredito que investir em games vai sim ser uma boa para o WoD e até para o CofD. Vai ser uma forma de difundir a mitologia e trazer dinheiro para a Paradox, que devem manter o CofD como celeiro de idéias, subsidiando os novos rpgs de mesa. Só espero que eles sejam espertos o bastante para focar em games de narrativa e aproveitar o que eles tem de melhor.

    Btw, parabéns pelo blog e pelo podcast, ambos muito informativos! Sucesso!

    -Ivan Prado –

  2. “As edições futuras vão mover o cenário, o mythos, a metaplot e as mecânicas quase uns 15 anos pra frente até os dias de hoje.”

    Já que pretendem modernizar o sistema Storyteller assim como o cenário, seria inaceitável adotar o Storytelling como base para o novo e antigo cenários? Seria algo muito impossível aproximar as duas linhas?

    Ter a base de regras em um livro a parte é uma boa para economizar espaço nos livros específicos de cenário, mesmo exigindo a compra de outro produto separadamente.

    Vejo as coisas funcionando com os livros baseados no Mundo das Trevas Clássico e no Novo andando lado a lado. Simplesmente livros do novo tratariam de algo mais genérico dentro do tema enquanto o antigo teria o metaplot como guia, tudo no mesmo sistema e podendo se inter-relacionar sem grandes complicações.

    O problema seria apenas a aceitação do público… 🙁

    1. Pois é o público meio que vetou essa ideia, mesmo que não fosse. Os jogos parecem que vão se distanciar cada vez mais, o CofD voltado para colaboração de toda a mesa no ato de contar a crônica e MdT seguindo as linhas de história da WW, talvez com mais material para LARP.

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