Novidades da White Wolf para o MdT e o CofD

Hoje, no dia 15 de Fevereiro, o “Lead Storyteller” (Diretor Criativo) da White Wolf, Martin Ericsson, deu uma entrevista para o site Imagonem sobre o futuro da White Wolf, seus planos para as linhas do Mundo das Trevas e nosso querido Chronicles of Darkness.

Nós do Blog NWoD Brasil traduzimos em primeira mão a entrevista mas, avisamos para os fãs do CofD que a nova White Wolf sob a direção de Ericsson não parece muito interessada no Chronicles of Darkness. Martin Ericsson afirma que o CofD não vai receber nenhuma adaptação, ficando apenas como RPG de mesa.

Estranhamos a fala de Ericsson ao apontar que o CofD nunca vendeu bem. Nos seus primeiros lançamentos, a indústria do RPG não ia lá bem das pernas e a White Wolf sofreu com as distribuidoras, como o desenvolvedor de Mago, Dave Brookshaw, comenta aqui, algo que afetou também o MdT.

Nós do Blog lamentamos a falta de atenção por parte da White Wolf, mas confiamos que a Onyx Path continuará fazendo os livros com a excelente qualidade com a qual estamos acostumados.

Pra vocês que não sabem que a White Wolf foi comprada recentemente ou quem é/foi a CCP, confiram aqui nossos artigos explicando de forma simples a trajetória da White Wolf:

Sem mais delongas, vamos à entrevista!


(Imagonem) Quais linhas de jogo você planeja reviver e quando?

(Martin Ericsson) Nós preferimos o termo “sair do torpor”. Um ancião acordando de um século de sono está morrendo de fome e querendo sangue fresco. Nós também estamos. Nossos planos iniciais incluem produtos baseados em todas as linhas do “clássico” Mundo das Trevas. Só que pode levar um tempo até chegarmos em Múmia: A Ressurreição 🙂

Nosso plano de lançamento vai ser sempre um segredo até que se diga o contrário. Eu adoro a especulação e o mistério rondando os lançamentos futuros que vimos nos anos 90, então a gente vai, com certeza, brincar com essa ideia. Dicas e pistas sobre o que vai sair depois vão aparecer nos produtos futuros e nos informes da WW. Aliás, já tem algumas delas por aí.

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Martin Ericsson (esq.) e Tobias Sjögren (dir.)

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Vocês vão priorizar jogos de computador ou vamos ver papel-e-caneta em breve?

A resposta curta é que o centro econômico da empresa vão ser os jogos de computador. A não ser que algo estranho aconteça e as pessoas passem a comprar livros de RPG, romances do MdT e quadrinhos como se eles fossem Harry Potter. Do jeito que as coisas estão, a publicação de RPGs de mesa dificilmente valem a pena. Espiritualmente, o centro vão ser sempre os RPGs de mesa e o LARP. As bíblias [NdT: os guias] que estamos fazendo pros jogos de computador são escritos como se fossem textos para uma nova edição de mesa e possivelmente vão ser lançados nesse formato. Os lançamentos combinados de jogos digitais e de mesa parecem fazer bastante sentido pra mim. Nos últimos anos, produtos focados e fáceis de usar, como Mutant: Ano Zero [NdT: No Brasil pela Pensamento Coletivo] e Lamentations of the Flame Princess, estão vendendo surpreendentemente bem. Suas durações breves e a facilidade de aprendizado fazem deles jogos perfeitos para a introdução de novos jogadores no hobby, enquanto que livros monumentais do estilo clássico da WW geralmente vendem mal e são mais lidos do que jogados. Se as edições futuras do MdT forem ativamente usadas em vez de colecionadas, então teremos feito nosso trabalho.

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Qual forma o jogo pra computador vai tomar? MMO? Você é capaz de trazer o conteúdo do “Mundo das Trevas” da CCP ?

Todos os lançamentos serão anunciados quando nos sentirmos confiantes que eles vão ser lançados a tempo, alcançar nosso alto padrão de qualidade e ter material suficiente pra ser discutido pela comunidade de uma forma significativa. Nós somos donos de todos os bens conectados ao MdT, inclusive o conteúdo que a CCP gentilmente nos deu como um bônus quando fizemos a compra da Propriedade Intelectual. Eu, pelo menos, pretendo garantir que esses 8 anos de trabalho por centenas de criadores excepcionalmente talentosos não vá ser desperdiçado completamente.

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Você mencionou planos para o LARP. Isso vai ser uma nova “Camarilla” internacional? Como as campanhas vão funcionar e que tipo de sistema vocês vão usar?

Nós esperamos ser um recurso para as trupes locais do Mind’s Eye Theatre, não um comitê central ditatorial. Os planos para algumas ferramentas para as comunidades e acompanhamento global de personagem estão em desenvolvimento mas é muito cedo pra falarmos das especificidades. O que podemos dizer é que o MET não vai ser o único LARP por aí. Os LARPs oficiais da White Wolf não vão usar as regras do Mind’s Eye Theatre, eles serão organizados mais como o Monitor Celestra ou o College of Wizardry.

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Você poderia explicar um pouco sobre o negócio que vocês fizeram com a Onyx Path? Qual vai ser a principal diferença entre o “Chronicles of Darkness” e o “Mundo das Trevas”?

Só existe apenas um WoD. O Chronicles of Darkness é um cenário aberto [NdT: sandbox] pra RPGs de mesa que possui os mesmos tipos genéricos de criaturas que o Mundo das Trevas, mas não é o mesmo mundo. Ele não vai ser adaptado para jogos de computador, romances, tv ou qualquer outra coisa. Ele é nossa marca específica para um ótimo RPG de mesa flexível, sem-metaplot e orientado para o jogo de mesa. Com as segundas edições, o CofD realmente encontrou uma identidade separada do MdT e vai continuar se tornando cada vez mais uma coisa própria. Nós ainda somos os donos, mas é o bebê da Onyx Path. Eu adoro o CofD e acho que é um jogo mais jogável e com uma estética mais desconcertante e vaga do que o MdT já teve. Uma pena que ele nunca vendeu nada e que os jogadores antigos odiavam. O CofD faltava o escopo épico e a paixão punk do MdT Clássico. Se ele tivesse ido remotamente tão bem quanto o MdT Clássico as coisas teriam sido bem diferentes.

A Onyx PAth também tem uma licença pra produzir livros de nostalgia para os cenários do MdT Clássico. Esses são oficiais mas se passam nos nebulosos “eternos anos noventa”, usando o sistema old-school de “baldes de dados” que as linhas originais tinham. As edições futuras vão mover o cenário, o mythos, a metaplot e as mecânicas quase uns 15 anos pra frente até os dias de hoje. É o mesmo mundo mas um bocado mudou. É útil ver os livros clássicos e de Aniversário [NdT: V20, M20, etc.] como altamente subjetivos. Não dá pra encontrar a verdade suprema nesses livros, mas podemos ter um vislumbre dela através da multiplicidade de perspectivas apresentadas. Por exemplo, Humanidade é uma mecânica apresentada do ponto de vista da Camarilla, enquanto que as Trilhas de Sabedoria nos dão a perspectiva do Sabá sobre o assunto que é a moralidade. Nenhuma delas é verdadeira. Ambas são modelos e simplificações.

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Você poderia explicar a visão para os novos cenários, metaplot e a “guinada para o leste” (focando na Europa, Rússia e Oriente Médio)?

“E se os monstros são reais, escondidos entre nós?’ é o elevator pitch [1] para a nova metaplor. A estética punk-gótica está morta e enterrada. Todos os apocalipses do MdT Clássico aconteceram. Em 2001 a guerra-Gehenna pelos túmulos dos antediluvianos começou. Em 2006 a ascensão da wyrm e a inevitabilidade do apocalipse ecológico se tornou publicamente conhecido. A tecnocracia venceu, nós nos rendemos quando permitimos que as máquinas moldassem nossos valores e mentes, nos prendendo nos reinos paranóicos de nossas bolhas-de-filtro. Ao mesmo tempo, estamos aplicando engenharia à mecânicas quânticas, fazendo teorias mágicas se manifestarem como ciência, assim, nem toda esperança está perdida. Alinhado a isso, integramos eventos do mundo real pra que apareçam de forma proeminente na história. Nós encaramos de frente assuntos sociais difíceis como a ascensão do fascismo, fanatismo religioso e a morte da ideologia na política mainstream. Isso naturalmente no leva a focar nas áreas onde as mudanças dramáticas estão ocorrendo. Também existem mais livros nos Estados Unidos das Trevas do que no resto do mundo junto.

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Quando fãs podem esperar ver os primeiros produtos dessas novas linhas da Paradox e seus parceiros?

Haverá um lançamento em 2016.

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A quais clãs você e o CEO Tobias Sjögren pertencem?

Eu sou um Toreador, ele é um Ventrue.

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Algum plano para Mago?

Sim.

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Os lobisomens continuarão a ser eco-terroristas cripto-fascistas?

Mais do que eles já foram. O aquecimento global liberou a Wyrm-tide. O fim do Impergium (a antiga caça de humanos por Lobisomens para mantê-los em números manejáveis) parece um terrível erro em retrospectiva.

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What sucks most (pun intended) about being a Vampire?

Qual a pior parte de ser um vampiro? [NdT: A piada se perde na tradução 🙁 ]

A obsessão com a auto-ilusão e aparentar ser moral ou sombriamente esplêndido a seus semelhantes. Nunca capaz de ser verdadeiramente orgulhoso de quem você é. Até mesmo o Sabá precisa ver a si mesmo como “bom” em sua luta contra os opressores da Camarilla e o retorno dos Anciões. A necessidade de fazer o papel do (anti-) herói é trágica. No fim da noite, eles são meros viciados em sexo, sangue e poder, mascarando sua busca do próximo barato como parte de um ou outro grande esquema

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Onde a White Wolf “se enganou” da última vez? Quais são suas partes menos favoritas da PI [NdT: Propriedade Intelectual]

Qualquer coisa que cheire a fantasia. A tentativa de criar uma mitologia profunda ao ligar o cenário a Exalted foi a pior escolha já feita. Esse foi o último passo na marcha-para-a-morte do MdT, indo de uma PI de horror artístico para a completamente imatura e escapista Fantasia Urbana. A falta de habilidade pra lidar e integrar eventos do mundo real no cenário. Se você pode escrever sobre o holocausto, você pode escrever sobre o 11 de Setembro. Medo é a morte da criatividade. O jogo sempre esteve melhor nas mãos dos Narradores que ousaram colocar a história perto da realidade, quase sempre em suas próprias cidades, com lugares e pessoas reais.

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E vice-versa: quais são seus jogos e conceitos favoritos?

São muitos pra listar. Os livros estão lotados de insights profundos, histórias humanas e interpretações heréticas da mitologia e sub-cultura do mundo real. O jogo que mais colecionei (através da série de jogo político minha e da Adriana skarped, Prosopopeia) e joguei é Aparição. Uma pequena seleção dos meus livros favoritos incluem Vampiro 1ª ed., Carniçais: Vício Fatal, Gilded Cage, Cidade dos Amaldiçoados (para Vampiro o Réquiem mas muito útil para Vampiro a Máscara) e Love Beyond Death.

[1] NdT – Elevator Pitch é uma proposta de produto feita de forma resumida e rápida, capaz de ser explicada em uma viagem de elevador.


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Então, galera, o que acharam? Ansiosos pelos jogos? Dúvidas, sugestões ou comentários? Esquecemos de alguma coisa? Comentem abaixo, queremos saber o que vocês acharam!

Até a próxima e não se esqueçam de curtir nossa página no Facebook!

– Dante

8 comments

  1. Olá pessoal

    Bom. Gostei muito da tradução do texto e o conteúdo da entrevista. Contudo, pelo que eu vi a Paradox/White Wolf querem deixar o publico alvo na escuridão sobre os lançamentos e seus conteúdos, bem diferente da Onyx Path, que prefere um processo de desenvolvimento aberto? Eu acho que isso é problemático, pois alimentar muito ansiedade do seu publico, que pode esperar uma coisa e no final sair algo totalmente diferente e que pode ser frustrante.

    Até mais

    1. Eles esperam trabalhar com essa ansiedade a favor deles. É uma mentalidade da indústria de games e em alguns casos já deu muito certo em outros tivemos fracassos totais.
      Acredito que se eles entregarem produtos de qualidade eles conseguem o que eles querem, o mercado tem demonstrado espaço para jogos com temática sobrenatural e urbana, mas não parece estar sobrecarregado.

  2. Parabéns pelo trabalho de tradução do texto. A parte mais interessante da entrevista pra mim foi quando ele disse: “(…) livros monumentais do estilo clássico da WW geralmente vendem mal e são mais lidos do que jogados. Se as edições futuras do MdT forem ativamente usadas em vez de colecionadas, então teremos feito nosso trabalho.”
    Isso é uma grande verdade e no meu ponto de vista um entrave para que a geração mais nova pudesse aproveitar melhor o cenário do Mundo das Trevas.
    Também concordo que o estilo Punk-Gótico perdeu seu sentido. Enfim, ele deu pistas mas não disse muita coisa que possamos saber exatamente o que pretendem fazer. É aguardar e esperar pra ver.
    Um grande abraço do Velhinho do RPG.

  3. com a quantidade de produtos que o NWOD ( agora CotD) tem e com a 2 ed dos livros é dificil acreditar q eles vendenssem mal

    1. O conceito de vender “mal” aqui é uma parada extremamente grosseira, que pode até mesmo ser vista como errônea. Ele está usando comparações absolutas com a era em que só existiu basicamente 3 RPGs, GURPS, Storyteller e Dnd, sendo que desses apenas o Storyteller tinha uma cenário particularmente estimulante, que vc conseguia se inserir lendo apenas um livro
      Ele tambem está fazendo uma comparação com os números da indústria de games, que quando um jogo emplaca, ele vende milhões de dólares, mesmo quando ele não comete erros pavorosos.
      A OPP parece ir bem das pernas, mas claramente ela não está nadando em dinheiro, ela não investe em apostas particularmente arriscadas de distribuição e assina contratos que garantam estabilidade, mas não dinamismo. Veja que isso não é ruim, pelo contrário, isso nos garante um suprimento e uma qualidade mais constantes nos jogos produzidos por ela.

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