Ideias para CofD | A Versatilidade do Mundo das Trevas

CofD A Versatilidade do cenário (1)

Navegando na internet e buscando ideias para narrar uma nova campanha de Crônicas das Trevas, eu me deparo com postagens em fóruns falando sobre o cenário como um cenário para aventuras básicas iniciais, prólogos para campanhas em outros cenários. Além disso, também havia algumas pessoas tirando sarro, falando que eram episódios de Scooby-Doo narrados com outro nome.

Vamos esquecer por um momento toda grande conspiração dos magos, todo o sistema político dos vampiros, toda maquinação dos demônios e assim por diante. Vamos pensar no Crônicas das Trevas como um cenário onde você joga com humanos. Não humanos destinados a se tornar criaturas obscuras, mas simples humanos. Podemos começar nos perguntando o que há de simples sobre ser um humano? Você pode procurar respostas na arte, em livros, em filmes, em Shakespeare. Mas você pode responder essa pergunta de maneira sucinta e com absoluta confiança?

Bem, eu acho que Crônicas das Trevas tem um grande potencial para render campanhas incríveis. Drama, terror, horror, suspense. Você pode inserir os elementos que quiser e nem precisa apelar para o sobrenatural. Um dos vilões mais icônicos dos quadrinhos é o Coringa e ele não conta com nenhum superpoder. É claro que os elementos sobrenaturais sempre vão acabar vindo à tona hora ou outra, afinal é onde reside todo o tempero do cenário. As coisas que espreitam na escuridão e estão vindo atrás de você.

Minha frequência como jogadora/narradora é de uma sessão por semana. Nos últimos anos, praticamente só joguei/narrei com humanos. Baseado nas minhas últimas experiências e em referências de filmes, quadrinhos e livros, eu quero trazer algumas propostas de cenários para expor aqui.

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CofD A Versatilidade do cenário (3)

The Walking Dead

Se você leu o suplemento denominado Antagonitas, já sabe que grandes sessões do livro estão reservadas para criaturas reanimadas. Antes mesmo de ler o livro, acabamos tirando a ideia do mundo pop e jogamos durante um final de semana uma campanha extremamente frenética, baseada em sobrevivência e em jogos como Resident Evil com zumbis e armas biológicas.

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Donnie Darko

Viagem no tempo e loucura. Ambos são temas interessantes e complexos. Narrar eventos que se complementam, no caso da viagem no tempo, pode ser um desafio, mas quando bem feito, tem um efeito incrível sobre as aventuras. Sobre o segundo item, devo dizer que acho hospícios lugares muito interessantes para jogos de RPG. Se você não sabe como levar uma aventura por tanto tempo em apenas um lugar, tente se inspirar na segunda temporada de American Horror Story (Asylum). A série pode ter vários problemas, mas ela traz plots muito interessantes baseados em lendas urbanas.

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Assassin’s Creed

Ficção Científica e intervenções históricas. Recentemente eu tive o prazer de fazer parte de uma campanha onde nós descobrimos uma espécie de Animus. Para quem não conhece o jogo Assassin’s Creed, Animus é uma máquina que permite ao personagem acessar as memórias de seus antepassados que estão registradas no seu DNA. Rende muitas conspirações e lutas contra o governo. Afinal, que governo não iria adorar por as mãos em uma máquina como essa?

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Teoria das Cordas

Ah sim, se você gosta de ciências, sempre pode contar com ela para boas ideias de RPG. O filme Interstellar do diretor Christopher Nolan trata particularmente bem dessa teoria científica, a Teoria das Cordas. A ficção se inspirando na realidade. Um fato curioso: Lovecraft, criador de Cthulhu, previu Azathoth. Segundo o autor, o Antigo chamado Azathoth é uma grande massa de caos nuclear no centro do universo. Algum tempo atrás, adivinha o que os cientistas encontraram?

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The Witching Hour

Muito de Vampiro: A Máscara foi inspirado em Anne Rice. Pelo menos, algumas coisas me parecem ter sido. Mas Anne Rice também tem uma série de outras obras. Entre elas, existe um livro que eu acho particularmente interessante denominado no Brasil de A Hora das Bruxas e dividido em dois volumes. Há um suplemento chamado Second Sight que explora as possibilidades de se jogar com um personagem paranormal. Durante muito tempo, utilizamos esse suplemento para criar personagens humanas com poderes sobrenaturais específicos. Nós chamávamos nossas personagens de Bruxas e narrávamos uma espécie de Salém moderna. Tudo inspirado em Anne Rice. Novamente, exemplos podem ser retirados de American Horror Story (Coven). A terceira temporada consegue ser ruim e boa ao mesmo tempo e trabalha com ideias que parecem ter sido inspiradas na autora citada anteriormente.

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Espero que essas ideias ajudem suas campanhas de uma forma ou de outra e sirvam de inspiração para boas aventuras. Caso tenham interesse, eu posso desenvolver alguma das ideias expostas aqui. Obrigada pela leitura e, por favor, deixem suas sugestões nos comentários.

10 comments

  1. Excelente texto. Gostei bastante das referências e usarei algumas.
    Usando essa questão do Animus, tive uma idéia bem maluca a um tempo atrás pra uma crônica de Destituídos que seria o seguinte:

    O jogo começaria nas Rochosas do Colorado, cenário básico dos Destituídos 1ª Edição, ainda na ameaça do Idigam Gurdilag. O Uratha Mestre do Ferro Max Roman havia durante sua jornada descoberto um meio de se obter a Interdição Secreta de Gurdilag, a que ele denominou de Animus. Essa ferramenta poderia ser qualquer coisa que eu não pensei ainda, talvez uma máquina, um ritual (pra criar um clima mais tribal), ou um fetiche extremamente poderoso. Talvez Max tivessse localizado um espírito antigo que, aprisionado dentro de um fetiche tecnológico, pudesse dar origem ao Animus. Cabe aos personagens capturarem esse espírito, localizarem ele e mantê-lo vivo para a criação do instrumento (uma missão simples antes do jogo em sí).

    Continuando. Eu também daria aos personagens uma nova Vantagem chamada Raça Pura, uma adaptação do Storyteller, cuja pontuação teria de ser preenchida pelos jogadores. Quanto mais raça pura, maior seria a ficha do personagem quando ele adentrasse o Animus.

    É ai que entra uma misturada danada. Após entrar no Animus, os personagens viajam para uma época medieval específica onde se encontram nos corpos de lobisomens do Antigo Mundo das Trevas. São Garous a partir de agora, lobisomens que viveram antes dos Destituídos e que destruíram o grande mau do mundo antes de deixarem de existir.Teriam uma das trezes tribos e viveriam agora dentro da ambientação de Lobisomem o Apocalipse, aprendendo como foi a vida e o mundo desses ancestrais dos Uratha.

    Como Garous, esses lobisomens teriam de encontrar uma entidade chamada O Rei Afogado, que nada mais é que o Gurdilag no futuro. Então é ai que entra aquela aventura chamada Vidas Passadas. Ao final de tudo, após muitas emoções, tentativas de sabotagem dos Puros e ataques constantes ao Animus, os personagens conseguiriam a Interdição de Gurdilag no futuro e conseguiriam livrar Denver de sua ameaça.

    1. Ótimas ideias para Lobisomem. Vai dar uma ótima campanha. Eu acho o plot de Assassin’s Creed incrível. Rende praticamente qualquer coisa, uma vez que você pode explorar “apenas” toda a história da humanidade. hehehe

  2. Gostei bastante do blog, continuem postando ideias de cenários, mapas e material. Sou novo no mundo das trevas e estou querendo montar minha primeira mesa

    1. Ficamos muito feliz com seu comentário. Certamente continuaremos postando! Bem-vindo ao nosso querido Mundo das Trevas, sente-se, aproveite a música e experimente um drink, mas tome cuidado com as coisas espreitando no escuro!;)

  3. É um game bem completo para jogar como humano vulnerável. Quem comenta que serve para brincar de scooby-doo na verdade usa RPG para brincar de Ben10. Qual a diferença?

    1. Ambos se shows ao redor do monstro da semana, ambos tem aspectos investigativos e inversão de expectativas. Porém em Ben10 o perigo algo externo que veio ameaçar os humanos. Já com Scooby-doo a ameaça é sempre um igual, com intenções extremamente mundanas, que usa uma véu de sobrenatural.
      Considerando que os monstros sobrenaturais do CofD são estudos de aspectos do ser humano, Scooby-doo me parece refletir melhor a temática.
      Ben10 até consegue cobrir bem alguns tons de algumas linhas do CofD. Promethean é bem abordado, já que se trata de uma série de viagem, peregrinação, e o Ben procura alcançar seu potencial final.

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