Flatpack – (Re)Consertando o Futuro

A dupla Filamena Young e Olivia Hill estão de volta com o lançamento de mais um RPG necessário para nossos tempos: Flatpack (Re)Fix the Future.

Depois de iHunt, onde jogamos como caçadores de monstros uberizados pois, afinal, um lobisomem mete menos medo do que os boletos no fim do mês, chegou a vez de jogarmos com jovens que tentam reconstruir o mundo depois do apocalipse.

A primeira edição de “Flatpack Fix the Future” foi lançada originalmente em 2012 e, de lá pra cá, muitas coisas mudaram – definitivamente pra melhor –. Muitas coisas mesmo, da direção de arte à divisão do livro em si. Falando na divisão do livro…

Edição Antiga

Edição Nova

Flatpack está agrupado em 5 “manuais”, cada um deles voltado para um momento diferente do jogo. O primeiro, chamado de Manual A é a introdução e conta com um dos melhores exemplos de jogo que eu já vi nessa vida de RPGista. No Manual B encontramos tudo referente aos personagens dos jogadores, os WRENCHes. No C, adivinha só, tudo para o diretor do jogo. Os Manuais D e E são, respectivamente, biomas – regiões com ganchos de aventura – e um compilado de flatpacks.

Afinal, o que são WRENCHes e Flatpacks?

Em Flatpack os personagens são WRENCHes, pessoas que exploram o mundo tentando consertar um mundo pós-apocalíptico usando as titulares Flatpacks.

WRENCHes são jovens que cresceram depois do “Fim”. Já as pessoas que nasceram antes ou durante o “Fim” são os “Velhos (Olds)”. O problema é que, depois do Fim, os Velhos não possuem mais a energia ou a vontade de fazer alguma coisa a respeito do mundo pois estão “cansados, tristes e meio quebrados”.

Você é um WRENCH porque, em algum momento de sua vida, você adquiriu certos conhecimentos e habilidades cujas iniciais formam a palavra WRENCH, que significa “chave” (a ferramenta, tipo chave de boca). 

Uma “Wrench” facilmente encontrável na sua loja de ferragens mais próxima

Você é, literalmente, a ferramenta para a reconstrução do futuro. Suas habilidades são:

Wrascalin’ – Tudo que tenha a ver com abalar o status quo e causar (ou evitar) confusão.

Rithmatic – Pensamento tático e feitos de esperteza.

Elec-Trix – Criar e consertar coisas antigas (do tempo antes do Fim) ou até mesmo coisas novas e melhoradas.

Nax – Hobbies, atividades manuais e outras habilidades aprendidas.

Civics – Relações interpessoais, conhecimentos culturais, história, e coisas que tenham a ver com a vida em sociedade.

Health & Fitness – Correr, escalar, pular, nadar, carregar pneu… ou seja, crossfit.

Já as Flatpacks são malas ou sacolas que literalmente se transformam em construções completas num piscar de olhos. 

The capsules in Dragon Ball Z | Spotern

Te lembra alguma coisa?

O livro básico possui uma seção inteira dedicada a fornecer ideias de Flatpacks para o grupo. Inclusive, todo personagem já começa o jogo com 2 Flatpacks de qualidades e tipos diferentes. Abaixo, um exemplo de uma Flatpack que se transforma em uma Estação de Trem que permite que seu personagem recupere um pouco do seu fôlego/vitalidade.

Uma estação de trem que pode ser normal, esquisita ou ajudar sua WRENCH com ações relacionadas a viagem, tempo e mapas.

E qual é o sistema?

Essa é uma pergunta inescapável quando a gente vai falar de um jogo novo pra qualquer RPGista mais experiente, né? Então, pra matar a curiosidade, vamos lá pras rolagens de dados.

Pois bem, Flatpack utiliza um sistema próprio feito sob medida para proporcionar um clima leve, descontraído e baseado na cooperação entre os personagens. Todas as ações dos personagens que necessitem de uma rolagem são opostas por uma rolagem do Diretor. Normalmente essa rolagem – de ambos os lados – é composta por “2d6 + um número fixo”, no entanto, há circunstâncias em que um dos dados pode ser aumentado, isto é, um d6 pode virar um d8 e assim até o d12.

Ao longo das cenas de jogo os personagens vão se deparar com obstáculos – literais ou metafóricos – que precisam ser superados para a narrativa continuar até a próxima cena. Esses obstáculos são chamados de Muralhas/Paredes (Walls) e, para serem superadas, os personagens precisam obter sucesso em um número de ações igual ao número de jogadores+1. Esse número é chamado de “Brix”, tijolos.

Nessa dinâmica, sucessos reduzem os Tijolos da Muralha e falhas reduzem o Fôlego/Vitalidade do personagem – representado aqui como pedaços de corações, literalmente igual a Zelda –. Se um personagem chegar a 0 pedaços, ele fica fora da cena atual, atordoado, frustrado/desanimado ou algo estranho acontece. 

Em Flatpack os personagens não “morrem”. Esse jogo tem uma proposta otimista e bem-humorada e, portanto, consequências tão drásticas não se encaixam direito aí.

Obviamente, esses parágrafos foram uma versão condensada de como as coisas acontecem. Afinal, ainda temos alguns outros assuntos pra tratar nesse post como, por exemplo, as escolhas de design visual do livro, extremamente importantes quando se trata de uma obra com direção artística da Olivia.

Diagramação e Arte também são Game Design

De cara nos salta aos olhos o contraste entre as cores dos personagens e o cinza das páginas, retratando o conflito central do jogo: trazer esperança e cor a um mundo destruído e cinzento. A arte lembra um video-game indie 2.5d em vários momentos, com aquela vibe de aconchego e otimismo.

Falando em otimismo, os 5 manuais possuem capas para colorir e desenhadas por diferentes artistas. Isso mesmo, são páginas em que você é incentivado a pegar seus lápis de cor, aquarela, crayon e começar a colorir.

A arte dessa capa foi feita pela magnífica Fede Sohns – autora de Nibiru e Zephyr –

Para esse humilde Cronista, o estilo cartunesco das personagens remete a algo entre Digimon (o primeirão, sou millenial) e Scott Pilgrim. São adolescentes e jovens adultos que ainda possuem alegria de viver, novamente, um grande contraste com iHunt e, traçando um paralelo, com a proposta de arte fotorrealista desse último.

Já tá grande demais esse artigo, né? Quem leu até aqui me marca lá no discord dos Cronistas (@yuukale) no canal de Flatpack (#flatpack). 

Eu sou horrível com encerramento de artigos.

Hackeando o Futuro

Flatpack ao longo do livro fornece em seu texto diversas ferramentas para você mesmo fazer suas gambiarras, criações e derivações das regras apresentadas. Não gostou de uma regra? Não concorda com um bônus? Mude, invente outras possibilidades. E é nesse espírito de invenção e gambiarra que eu também recomendo Flatpack para qualquer grupo que jogue em um cenário futurístico e/ou pós-apocalíptico. Esse é um jogo que serve de fonte de ideias para inúmeros outros jogos e sistemas.

E aí, vamos (re) consertar o futuro? Adquira sua cópia AQUI

– Cronista Dante

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.